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domingo, 11 de novembro de 2012

O óbvio ululante e a nossa falta de sentido

Vou abrir um parêntese no blog e falar um pouco de liberdade. Não da liberdade de ir, vir, pensar e ser. Mas da liberdade que quase não nos damos de enxergar o outro e, nele, nós mesmos. Joões de Barro e outros contos jornalísticos foi, até aqui, minha incursão mais profunda no jornalismo. Uma viagem reflexiva e instigante que surgiu meio por acaso no segundo ano de faculdade. 

Era começo de 2006. Na pia inundada de louça suja de uma república de estudantes, me veio à memória a intrigante história dos operários de uma cerâmica de tijolos de minha cidade natal, Bandeira do Sul. Durante décadas de funcionamento, os trabalhadores cumpriam uma sina aparentemente comum para quem observava de dentro: começavam a trabalhar cedo, enveredavam-se pelo alcoolismo,  ou morriam ou tornavam-se inválidos. O Ciclo vicioso cumpria-se a cada nova geração.

Num estalo daqueles parecidos com o que Nelson Rodrigues descreveu como 'óbvio ululante', percebi o incomum naquilo que as décadas haviam banalizado. Decidi que escreveria um livro-reportagem como projeto experimental, o equivalente ao Trabalho de Conclusão de Curso. O projeto era irresistível, em especial para alguém que retrataria a sina cumprida pelo próprio pai, trabalhador da cerâmica e alcoólatra, filho de Manuel Vaz, outra vítima do álcool e um dos fundadores da cerâmica.

Fiquei quase um ano refletindo sobre como contar a história e manter-me minimamente isento, não vislumbrei essa possibilidade. Para piorar, tinha na consciência um problema ainda mais grave. Um estudante de jornalismo, com seus minguados 21 anos, não teria maturidade nem fôlego suficientes para dar ritmo, consistência, e a profundidade merecidos à uma tragédia muito semelhante à morte dos severinos de João Cabral de Melo Neto. Com a diferença que a sina dos severinos os guiava por um caminho de seca, fome e desesperança até a morte morrida, quando não matada. Já a sina dos Joões os sequestrava por um suicídio psicológico, pela aniquilação de suas personalidades e, finalmente, para a miséria da ausência de sentidos.

O desafio era enorme e não podia negligenciar o fato de que não possuía o fôlego de um romancista, nem o olhar treinado de um jornalista vivido. Foi da releitura de Dom Casmurro, e seus capítulos independentes, e da lembrança sempre viva dos contos de Fernando Sabino que brotou uma aparente solução: e se deixasse de lado a profundidade do romance e partisse para o dinamismo assertivo do conto, mas menos exigente? Foi o que fiz. Mas a responsabilidade ainda parecia pesar sobre os ombros. 

Parti então para um trabalho um tanto mais conceitual, uma série de contos reais com o objetivo de retratar o dia-a-dia banalizado de Joões, Josés e Marias que não aparecem nas páginas dos jornais, nem mesmo nas colunas manchadas de sangue da ‘Vida como ela é” de nossos tempos espetaculosos. Os Joões de Barro ganharam a companhia de treicheiros, travestis e homossexuais, num esforço de reportagem para ao mesmo tempo descortinar o cotidiano de personagens caricaturados pela sociedade e mostrar como banalizamos de forma cruel o nosso dia-a-dia ao ignorarmos nossos semelhantes.

Em um tempo tão contraditório, em que redes sociais servem-nos de espelhos com alcance ilimitado para o narcisismo nosso de cada dia, republico aqui o encerramento do livro-reportagem. Uma análise sobre a liberdade de enxergar o trivial e encantar-se com ele, como diria Hélio Pelegrino, em sua libérrima existência e total e gratuita inutilidade. Sob a perspectiva de um escritor atormentado, David Foster Wallace. Logo ele, que anulou os próprios sentidos em 2008, nos fez um alerta com tom de premonição:

David Foster Wallace, o escritor atormentado pela depressão
tentou nos alertar sobre a ausência de sentidos
Há algo de incomum no trivial?

Três anos antes do 12 de setembro de 2008, dia em que enforcou-se, num discurso como paraninfo dos formandos do Kenyon College, em Gambier (Ohio - EUA), David Foster Wallace, um dos mais festejados escritores de sua geração, falou sobre “a liberdade de enxergar o real e o essencial, escondidos na obviedade ao nosso redor”. 

Wallace, sob os efeitos da depressão que o perseguiu durante duas décadas e que o levou ao suicídio, verbalizou uma pungente reflexão que questionava a ótica da qual visualizamos o mundo. Para ele, tendemos a ver o mundo através de nosso umbigo, pois essa é nossa configuração padrão. E, apesar dessa postura ser confortável e gerar-nos satisfação pessoal, ela é responsável pelo imenso vazio, formado quando descobrirmos que as imagens que criamos através dessa perspectiva unilateral e egocêntrica, não chegam nem perto do mundo real. Pior, passa muito longe de nós mesmos.

Não se trata aqui de angular uma reflexão a partir de uma já surrada constatação filosófica: a de que o essencial permanece em baixo de nossos narizes, enquanto admiramos paisagens espetaculosas com nossa visão distorcida. Cabe nesse encerramento, alertar para o imenso vazio de sentido que tem se instaurado em nosso meio. Vazio que está diretamente ligado à inexistência de objetivos reais de compreensão do ser-humano. 

O escritor e filósofo tratou de esclarecer aos formandos que não se tratava de uma visão mística da vida, apenas da constatação do óbvio. 

E, para essa constatação, não é necessário empreender nenhuma grande reflexão filosófica. Basta olharmos para o lado e notar que o mundo em que habitam Joões, Josés, Ma-rias, homens e mulheres de carne e osso são tão interessantes quanto nosso pequeno mundinho e tem problemas igualmente graves e urgentes. E, só então, descobrirmos que quando olhamos para os outros, olhamos para nós mesmos, porém, de forma mais aberta e profunda. É assim que o ser-humano explica-se, trocando experiências. Mesmo que só observando-as.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Anastasia ajuda em Varginha, titubeia em Pouso Alegre e se isenta em Poços


Nas três maiores cidades da região, o duelo entre os candidatos colocou à prova o poder de influência dos governos estadual e federal. No final das contas, prevaleceu a impressão de que, por mais que a presidente Dilma Rousseff e governador Antônio Anastasia ostentem bons índices de avaliação, o eleitor não estabelece ligação imediata entre eles e o candidato que apóiam só porque pertencem ao mesmo partido.

O PT ganhou duas das cidades pólos, Pouso Alegre e Poços de Caldas, com Agnaldo Perugini e Dr. Eloísio. Em Varginha, venceu o candidato apoiado por Anastasia, Antônio Silva, do PRB. 


Anastasia recebe benção do bispo após reeleição, em Pouso Alegre
O governador passou duas vezes por Pouso Alegre durante a campanha. Na primeira, ainda no início do embate eleitoral, foi ligeiro, recebeu brevemente o candidato da oposição, Enéas Chiarini (PPS), no saguão do aeroporto local. Faltando algumas semanas para o pleito, participou de um comício com o candidato. A avaliação final foi que o engajamento do tucano foi tímido.

Em Varginha, a participação do governador foi mais ativa. Caminhou lado a lado com Antonio Silva. Em Poços de Caldas, Anastasia não quis imiscuiu-se na disputa polarizada por dois candidatos de sua base aliada, o ex-prefeito e deputado Geraldo Thadeu (PSD) e o atual prefeito Paulinho Couro Minas (PPS), e pelo dentista azarão que acabou surpreendendo e azedando os planos dos favoritos. O petista Dr. Eloísio, fixado na terceira colocação em todas as pesquisas de intenção de votos até a véspera das eleições, protagonizou uma virada histórica na cidade e levou o PT à vitória mais simbólica na região.

PT ultrapassa PSDB e é partido com maior representação no sul de Minas


Contrariando todos os prognósticos de comentaristas e analistas políticos, o Partido dos Trabalhadores (PT) registrou um crescimento considerável na região. A legenda que chegou a 26 prefeituras em 2008, galgou o degrau mais alto da política municipal em outros sete municípios. No controle de 33 prefeituras, o partido da presidente Dilma Rousseff ultrapassou os tucanos e é hoje o partido mais hegemônico do Sul de Minas. 

O petista Eloísio Dentista foi a 'zebra' da eleição em Poços de Caldas
Sigla antagonista do PT no cenário político nacional, o PSDB de Anastasia manteve as 31 prefeituras conquistadas nas últimas eleições e passa a ser a segunda grande legenda na região. Juntos, petistas e tucanos vão governar quase metade das prefeituras sul-mineiras. São 64 de 155 cidades sob a batuta das siglas rivais ou 41,2% do total.

Os demais partidos, com exceção do recém criado PSD, viram minguar sua influência política. O PMDB, terceira legenda com maior representatividade, perdeu uma prefeitura. O partido do vice-presidente Michel Temer tem agora 20 prefeitos no comando de municípios da região. Mas foram os democratas que amargaram o pior desempenho. Antes com 20 prefeituras sob sua influência direta, a sigla viu as urnas ceifarem oito municípios sob o seu comando, ficando com apenas 12 prefeituras. Outro partido que encolheu na região foi o PR. A legenda tinha 14 prefeituras em 2009, em 2013 ficará com 9. Estreante em disputas municipais, o PSD, fundado pelo prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, em 2010, dá a largada com cinco prefeituras.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Perugini terá maioria apertada na Câmara

Depois de passar boa parte de seu primeiro mandato com minoria na Câmara, o prefeito reeleito Agnaldo Perugini voltará a ter maioria no Legislativo a partir de 2013, mas com vantagem de apenas um voto. Isso significa que, para projetos que necessitam de aprovação de ao menos 2/3 do plenário, seu governo terá necessariamente que conquistar votos da oposição.

Perugini passou maior parte do mandato com minoria no Legislativo

A coligação de Perugini elegeu oito vereadores, outros sete foram eleitos pela oposição. Dois terços da Câmara, representam - a partir de 2013, quando aumenta para 15 o número de cadeiras na Casa - 10 votos. Mas há quem avalie que alguns candidatos da oposição possam vir a compor a base aliada. Do contrário, a administração do petista continuará sem vida fácil na Câmara.

Renovação
A renovação na Câmara, como já se esperava, foi grande. Dos 11 vereadores da atual legislatura, apenas dois foram reeleitos. Dulcineia (PV), amealhando 1.051 votos, e o petista Hélio da Van, que conquistou a preferência de 1.755 eleitores.

Outros três dos atuais vereadores conseguiram ultrapassar a casa do mil votos, mas não foram reconduzidos às suas cadeiras por integrarem uma coligação fraca, que não atingiu o coeficiente eleitoral. O caso mais marcante foi o de Rapahel Prado (DEM). Terceiro vereador mais votado, conquistou 2.099 eleitores, mas ficou sem a vaga na Câmara, já que sua coligação, completada pelo PP, não atingiu o mínimo de votos para ter direito a uma cadeira no legislativo. Oliveira Altari (DEM) com 1.022 votos e Frederico Coutinho, 1.235, também tiveram boa margem de votação apesar de também terem ficado de fora.

Confira a lista dos quinze vereadores que vão compor o Câmara a partir de 2013:

Candidato eleito
Partido - Coligação
Nº de votos
DR PAULO
PSL - PSL / PPS / PC do B
2.330
FLAVIO ALEXANDRE
PR
2.242
HELIO DA VAN
PT
1.755
GILBERTO BARREIRO
PMDB
1.567
ADRIANO DA FARMACIA
PTN - PRB / PTN / PHS / PRP / PSD / PT do B
1.427
BRAZ
PPS - PSL / PPS / PC do B
1.248
WILSON TADEU LOPES
PV - PRTB / PV / PPL
1.190
RAFAEL HUHN - FEIJÃO
PT
1.188
DULCINÉIA (NÉIA)
PV - PRTB / PV / PPL
1.051
MAURÍCIO TUTTY
PV - PRTB / PV / PPL
1.045
HAMILTON MAGALHAES
PTB - PTB / PSDB
1.041
NEI BORRACHEIRO
PPS - PSL / PPS / PC do B
923
MARIO DE PINHO
PT
908
LILIAN SIQUEIRA
PSDB - PTB / PSDB
783
PASTOR AYRTON ZORZI
PMDB
751

Perugini é o primeiro prefeito reeleito da história de Pouso Alegre

Com reportagem de Daniela Ayres


Com 53,08% dos votos válidos, o prefeito Agnaldo Perugini (PT) foi declarado às 20h20 deste domingo (07) o primeiro prefeito reeleito para um segundo mandato consecutivo na história de Pouso Alegre. A façanha quebra um tabú. Desde que foi insituida a possibilidade de reeleição no Brasil, em 1997, jamais um chefe do Executivo Municipal havia sido reconduzido ao cargo.

Já passava das 21h, quando o petista chegou ao palanque montado na Avenida Dr. Lisboa para comemorar a vitória com seus correligionários e eleitores. Na chegada, Perugini falou à imprensa. Um tanto irritado, desabafou. Reclamou ter sido vítima de ‘jogo baixo’ e ‘mentiras’ veiculadas pela oposição, mas que, agora, pretende governar para todos os pouso-alegrenses.

"A cidade votou em quem trabalha e a cidade derrotou aqueles que não querem nada, que trabalham em cima das inverdades, de mentiras, de fofocas. E o resultado das urnas conquistado por nós hoje, mostra que estamos no caminho certo, do desenvolvimento", declarou o petista. Perugini ainda apontou o que devem ser os dois eixos de seu próximo mandato. Segundo ele, além de seguir com a política de desenvolvimento econômico, a Saúde receberá atenção especial de sua administração nos próximos quatro anos.

O segundo colocado na disputa pela prefeitura, Enéas Chiarini, chegou ao fim do embate eleitoral com 41,35% dos votos válidos, correspondente a 28.164 votos. Douglas Vasconcelos encerrou com apenas 3.791 votos, 5,57% dos votos válidos.

Comparecimento
78.769 pouso-alegrenses compareceram à votação. Como previsto, a abstenção foi grande, 15.438 eleitores deixaram de votar (16,39%). Votos brancos totalizaram 4.429 (5,62%), nulos 6.228 (7,91%).

domingo, 30 de setembro de 2012

Sem estupidez! Continua sendo a economia



Comércio, serviços e indústria ativos como nunca
Num quadro de avisos, o marqueteiro de Bill Clinton na bem-sucedida campanha democrata de 1992, James Escarville, ditou em letras garrafais qual deveria ser o foco do trabalho que derrotaria o discurso patriótico de George Bush, o pai. “It's the economy, stupid!” (É a economia, estúpido!).  Findada a Guerra Fria e ganha a Guerra do Golfo, o republicano apostava suas fichas no discurso nacionalista para fisgar os eleitores americanos. Espirituoso, Escarville viu na piora da vida da classe média americana um argumento muito mais forte para a campanha de Clinton. Afinal, do que adianta o orgulho patriótico se o bolso e a geladeira estão vazios?

A leitura do marqueteiro americano explica com precisão a mais recente pesquisa de intenções de voto para a corrida eleitoral de Pouso Alegre. Divulgada pelo jornal Estado de Minas, neste sábado (29), o levantamento do Instituto MDA  jogou um balde de água fria nas aspirações da oposição. O grupo via na subida de sete pontos de Enéas Chiarini, registrada pela pesquisa Ibope, há 10 dias, uma inequívoca arrancada rumo a até então improvável vitória.

Mas o levantamento da MDA, reafirmou uma tendência que se desenha desde a primeira pesquisa pré-eleitoral, realizada pelo DataTempo CP2 e publicada no jornal ‘O Tempo’. De lá para cá, Perugini se mantém sempre com a preferência de 42 a 46% do eleitorado pouso-alegrense e, em nenhum momento, oscilou negativamente abaixo da margem de erro das pesquisas. Outro dado que já parece consolidado é que o atual prefeito têm seu melhor desempenho entre os eleitores que estão economicamente ativos, são de classe média e utilizam com maior freqüência a infraestrutura do município. É também desse grupo de pessoas a melhor avaliação do governo municipal, que ostenta índices de 48,5% de ótimo ou bom e 30,5% de regular.

A conclusão é óbvia. Quem vive o dia-a-dia do município mais intensamente e tem boas perspectivas de crescimento pessoal e profissional quer continuidade. E, de uns tempos para cá, com a disseminação de novos meios de comunicação e a descentralização da informação, esse grupo tem peso decisivo nas eleições.

A partir desta constatação, pode-se apontar dois graves erros da campanha de Enéas Chiarini, que explicam porque o principal rival do petista ainda não conseguiu ameaçar o projeto de reeleição. O foco do trabalho de divulgação do candidato do PPS concentrou-se basicamente em descolar o desenvolvimento econômico do município da atuação de Agnaldo Perugini e pregar um discurso bairrista, direcionado ao que alguns de seus correligionários classificam nas redes sociais como “povo dessa terra”.

O primeiro argumento não encontrou terra fértil em um grupo de trabalhadores que pouco se importa com política. Dizer a eles que ‘a administração não ajudou em nada o grande desenvolvimento alcançado por Pouso Alegre nos últimos anos’ serve apenas para afirmar duas coisas, ao menos do ponto de vista desses eleitores: ‘Sim, a cidade está se desenvolvendo’ e ‘não, a administração atual não impôs nenhum obstáculo’. Esta última, na melhor das hipóteses. O mineiro desconfiado fatalmente vai pensar: “Se até o adversário reconhece que está crescendo...”.

Mas talvez a grande escorregada da campanha de Enéas tenha sido reproduzir em Pouso Alegre o que Bush pai tentou fazer em 1992 nos EUA. Chiarini pregou um discurso bairrista que, certamente, cairia bem em uma das pequenas cidades mineiras, mas soa perigosamente xenofóbica em uma cidade de porte médio em plena efervescência econômica, atraindo grandes investimentos, profissionais de todas as regiões do país e novas culturas de diversas partes do globo.

O peso econômico e político
Mas se a estratégia oposicionista parece ser ineficaz, pode-se atribuir o desacerto à surpreendente retomada de popularidade do governo Perugini nos últimos dois anos.  A grande aposta da oposição era que o governo petista chegaria fraco e impopular ao final do mandato. Nos dois primeiros anos, Perugini enfrentou dificuldades com a inexperiência de seus quadros de governo e a pouca aceitação de seu nome em algumas camadas da sociedade.

A maré começou a virar quando os primeiros grandes investimentos privados e do governo federal começaram a se concretizar. E aí dois investimentos simbólicos: as obras do Dique II – com recursos do governo federal, e a implantação da gigante chinesa de máquinas pesadas, a XCMG, um investimento privado.

Obras do Dique II: início da retomada da popularidade

Os dois empreendimentos são simbólicos não simplesmente por sua envergadura, mas pela forma como foram anunciados e como saíram. O dique II foi anunciado já no primeiro ano do atual governo, mas só foi ter início no segundo ano de mandato. Já a XCMG, anunciada no segundo ano, começou suas obras nos primeiros meses de 2012. O que o atraso dessas obras simbolizam?

Quando tomou posse, em 2009, Perugini trazia consigo, guardadas as devidas proporções, expectativa semelhante à depositada em Lula, seis anos antes. Assim como Lula quebrara um tabu histórico ao ser eleito depois de três tentativas frustradas e chegar como legítimo representante da classe trabalhadora e dos pobres, Perugini encerrou um longínquo ciclo em que grupos poderosos e tradicionais de Pouso Alegre se revezavam no poder.

Não bastasse a ruptura política, o petista prometeu em sua campanha vitoriosa ações que talvez consiga concluir, se eleito, em seu segundo mandato. A expectativa foi se transformando pouco a pouco em pressão, que virou cobrança, que converteu-se em insatisfação. Quando algumas obras chaves como o Dique II se concretizaram e os investimentos privados alçaram a cidade à condição de polo emergente, a confiança voltou ao governo que se recompôs e concentrou-se em recuperar o apoio perdido.

Mas foi quando o governo encontrou seu timing, que a oposição ficou perdida no tempo. Continuou tocando insistentemente em temas vencidos como o caso dos ‘kits escolares’ ou a ‘fábrica de multas’ dos radares. Ao concentrar-se nos ataques, esqueceu-se de fundamentar-se em propostas e alternativas para substituir a administração que contesta. Esqueceram-se de olhar principalmente para o que faz a diferença na prática, ‘a economia, estúpido!’.

sábado, 29 de setembro de 2012

Farmacêutica indiana confirma investimento em Pouso Alegre


Quinze dias depois de o secretário de Desenvolvimento Renato Torres ir à China acertar os últimos detalhes para a instalação da empresa indiana ACG em Pouso Alegre, ele e o prefeito Agnaldo Perugini foram a Belo Horizonte oficializar o investimento.  Juntamente com os empresários indianos, foram recebidos, na cidade administrativa, pela secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico Doroteia Werneck.

A ACG atua no ramo farmacêutico, produz cápsulas para medicamentos. A planta de Pouso Alegre deve entrar em operação em 2013. O empreendimento terá aportes de R$ 68 milhões e deve gerar cerca de 140 empregos diretos.

O negócio foi selado há quinze dias, na cidade indiana de Mumbai, pelo secretário de Desenvolvimento Econômico, que viajou representando o prefeito Agnaldo Perugini. Durante uma semana, Renato Torres negociou com o corpo jurídico, executivo e finalmente com os acionistas da empresa, que bateram o martelo. “Estamos negociando com a empresa há cerca de um ano. Toda a secretaria, o prefeito Agnaldo Perugini, todos nós trabalhamos duro para garantir a vinda de mais essa empresa”, conta o secretário.

Polo farmacêutico
O investimento da ACG deve reforçar o parque farmacêutico de Pouso Alegre, que já conta com grandes empresas do ramo, como a Sanobiol, Cimed, Biolab e União Química. O empreendimento também consolida o município como principal destino de novos investimentos no estado de Minas Gerais.

Nos últimos três anos, Pouso Alegre sediou os maiores investimentos privados do Estado. No início, o movimento em massa dos investidores para o município era apontado como efeito natural de uma cidade bem localizada geograficamente tirando proveito do bom momento econômico vivido pelo País. Mas a crise econômica mundial veio e chamou atenção para o que investidores como Luiz Constantino, diretor do fundo de investimentos da Prospéritas, responsável pela construção do SerraSul Shopping em Pouso Alegre, já haviam assinalado, “sem a agilidade e o compromisso de uma administração, os investidores não se sentem seguros e a chance do investimento não acontecer aumenta”.

Indústria impulsiona geração de emprego
O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho (Caged) reforçou mais uma vez o protagonismo da indústria na economia de Pouso Alegre. Conforme dados divulgados pelo órgão o setor foi responsável pela geração de 410 novas vagas no município, colocando-o como cidade que mais gerou empregos no mês de agosto na região, com saldo de 204 novas vagas. No acumulado dos últimos 12 meses, de agosto de 2011 a agosto de 2012, Pouso Alegre também lidera, com um saldo positivo acumulado de 2.775 novas vagas.

Varginha vem logo atrás de Pouso Alegre com criação de 141 novas vagas. O pior desempenho das três maiores do Sul de Minas foi de Poços de Caldas. O município ficou com 39 postos a menos de trabalho no mês de agosto. No acumulado dos últimos 12 meses, as duas cidades estão ainda mais distantes de Pouso Alegre. Varginha gerou 1.318 novas vagas e Poços de Caldas 1.782.

Novos investimentos inflam riquezas do município
 Dados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do município projetam um crescimento do Produto Interno Bruto que deve fazer dobrar as riquezas da cidade até o final de 2013. De acordo com a projeção, o PIB de Pouso Alegre, que é a soma de todas as riquezas produzidas pelo município em um único ano, chegará a R$ 5,7 bilhões no final de 2013. O valor representa mais que o dobro da última marcação feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, o IBGE. Em 2009, o órgão estimou o PIB da cidade em R$ 2,563 bilhões. 

O cálculo feito pelo órgão considera apenas a riqueza agregada pelas empresas de médio e grande porte já instaladas ou em fase de instalação no município, como a empresa XCMG, a Rexam, a companhia Providência, a confecção Restoque e o novo Centro de Distribuição da Unilever. A tendência é que o PIB seja ainda maior que o projetado e coloque Pouso Alegre oficialmente como maior economia da região Sul do Estado.