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| Comércio, serviços e indústria ativos como nunca |
Num quadro de avisos, o marqueteiro de Bill Clinton na
bem-sucedida campanha democrata de 1992, James Escarville, ditou em letras garrafais
qual deveria ser o foco do trabalho que derrotaria o discurso patriótico de George
Bush, o pai. “It's the economy, stupid!” (É a economia, estúpido!). Findada a Guerra Fria e ganha a Guerra do
Golfo, o republicano apostava suas fichas no discurso nacionalista para fisgar
os eleitores americanos. Espirituoso, Escarville viu na piora da vida da classe
média americana um argumento muito mais forte para a campanha de Clinton. Afinal, do que adianta o orgulho patriótico se o bolso e a geladeira estão vazios?
A leitura do marqueteiro americano explica com precisão a
mais recente pesquisa de intenções de voto para a corrida eleitoral de Pouso
Alegre. Divulgada pelo jornal Estado de Minas, neste sábado (29), o
levantamento do Instituto MDA jogou um
balde de água fria nas aspirações da oposição. O grupo via na subida de sete
pontos de Enéas Chiarini, registrada pela pesquisa Ibope, há 10 dias, uma
inequívoca arrancada rumo a até então improvável vitória.
Mas o levantamento da MDA, reafirmou uma tendência que se
desenha desde a primeira pesquisa pré-eleitoral, realizada pelo DataTempo CP2 e
publicada no jornal ‘O Tempo’. De lá para cá, Perugini se mantém sempre com a
preferência de 42 a 46% do eleitorado pouso-alegrense e, em nenhum momento,
oscilou negativamente abaixo da margem de erro das pesquisas. Outro dado que já
parece consolidado é que o atual prefeito têm seu melhor desempenho entre os
eleitores que estão economicamente ativos, são de classe média e utilizam com
maior freqüência a infraestrutura do município. É também desse grupo de pessoas
a melhor avaliação do governo municipal, que ostenta índices de 48,5% de ótimo
ou bom e 30,5% de regular.
A conclusão é óbvia. Quem vive o dia-a-dia do município mais
intensamente e tem boas perspectivas de crescimento pessoal e profissional quer
continuidade. E, de uns tempos para cá, com a disseminação de novos meios de
comunicação e a descentralização da informação, esse grupo tem peso decisivo
nas eleições.
A partir desta constatação, pode-se apontar dois graves erros
da campanha de Enéas Chiarini, que explicam porque o principal rival do petista
ainda não conseguiu ameaçar o projeto de reeleição. O foco do trabalho de divulgação
do candidato do PPS concentrou-se basicamente em descolar o desenvolvimento
econômico do município da atuação de Agnaldo Perugini e pregar um discurso
bairrista, direcionado ao que alguns de seus correligionários classificam nas
redes sociais como “povo dessa terra”.
O primeiro argumento não encontrou terra fértil em um grupo
de trabalhadores que pouco se importa com política. Dizer a eles que ‘a
administração não ajudou em nada o grande desenvolvimento alcançado por Pouso
Alegre nos últimos anos’ serve apenas para afirmar duas coisas, ao menos do
ponto de vista desses eleitores: ‘Sim, a cidade está se desenvolvendo’ e ‘não,
a administração atual não impôs nenhum obstáculo’. Esta última, na melhor das
hipóteses. O mineiro desconfiado fatalmente vai pensar: “Se até o adversário
reconhece que está crescendo...”.
Mas talvez a grande escorregada da campanha de Enéas tenha
sido reproduzir em Pouso Alegre o que Bush pai tentou fazer em 1992 nos EUA.
Chiarini pregou um discurso bairrista que, certamente, cairia bem em uma das
pequenas cidades mineiras, mas soa perigosamente xenofóbica em uma cidade de
porte médio em plena efervescência econômica, atraindo grandes investimentos,
profissionais de todas as regiões do país e novas culturas de diversas partes
do globo.
O peso
econômico e político
Mas se a estratégia oposicionista parece ser ineficaz,
pode-se atribuir o desacerto à surpreendente retomada de popularidade do
governo Perugini nos últimos dois anos. A
grande aposta da oposição era que o governo petista chegaria fraco e impopular
ao final do mandato. Nos dois primeiros anos, Perugini enfrentou dificuldades
com a inexperiência de seus quadros de governo e a pouca aceitação de seu nome em
algumas camadas da sociedade.
A maré começou a virar quando os primeiros grandes
investimentos privados e do governo federal começaram a se concretizar. E aí
dois investimentos simbólicos: as obras do Dique II – com recursos do governo
federal, e a implantação da gigante chinesa de máquinas pesadas, a XCMG, um
investimento privado.
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| Obras do Dique II: início da retomada da popularidade |
Os dois empreendimentos são simbólicos não simplesmente por
sua envergadura, mas pela forma como foram anunciados e como saíram. O dique II
foi anunciado já no primeiro ano do atual governo, mas só foi ter início no
segundo ano de mandato. Já a XCMG, anunciada no segundo ano, começou suas obras
nos primeiros meses de 2012. O que o atraso dessas obras simbolizam?
Quando tomou posse, em 2009, Perugini trazia consigo,
guardadas as devidas proporções, expectativa semelhante à depositada em Lula,
seis anos antes. Assim como Lula quebrara um tabu histórico ao ser eleito
depois de três tentativas frustradas e chegar como legítimo representante da
classe trabalhadora e dos pobres, Perugini encerrou um longínquo ciclo em que
grupos poderosos e tradicionais de Pouso Alegre se revezavam no poder.
Não bastasse a ruptura política, o petista prometeu em sua
campanha vitoriosa ações que talvez consiga concluir, se eleito, em seu segundo
mandato. A expectativa foi se transformando pouco a pouco em pressão, que virou
cobrança, que converteu-se em insatisfação. Quando algumas obras chaves como o
Dique II se concretizaram e os investimentos privados alçaram a cidade à
condição de polo emergente, a confiança voltou ao governo que se recompôs e
concentrou-se em recuperar o apoio perdido.
Mas foi quando o governo encontrou seu timing, que a oposição
ficou perdida no tempo. Continuou tocando insistentemente em temas vencidos
como o caso dos ‘kits escolares’ ou a ‘fábrica de multas’ dos radares. Ao
concentrar-se nos ataques, esqueceu-se de fundamentar-se em propostas e
alternativas para substituir a administração que contesta. Esqueceram-se de
olhar principalmente para o que faz a diferença na prática, ‘a economia,
estúpido!’.


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