Os fogos ao final do jogo poderiam confundir. Mas que nada. O Brasil parou em um desinteressante empate sem gols contra a seleção mexicana. Que pena Neymar e companhia terem passado em branco. A Avenida Doutor Lisboa lotou para ver o escrete verde-amarelo. Animados, milhares. Travestidos de ufanismo. Uniformizados de brasileiros. Dedos cruzados. A esperança de ver um jogo menos tenso. Mais fácil. Menos angustiante que a estreia irregular. Mas o México. Os atuais campeões olímpicos. Lembra como esmagaram o Brasil de Neymar, Oscar e Lucas nas Olimpíadas de Londres? Ergueram uma verdadeira muralha para mais uma vez parar Neymar, Oscar e companhia. Bom, pode chamar a muralha de Ochoa. O goleiro mexicano fez ao menos duas defesas milagrosas. Uma delas lembrou, quem diria, a histórica defesa do inglês Gordon Banks na Copa de 1970. Banks defendeu uma cabeceada a queima-roupa de ninguém menos que o Rei. Quase foi preciso tirar o bola de dentro do gol. Ochoa fez parecido com uma cabeceada certeira de Neymar. E as semelhanças com o que há de melhor na história do futebol param por aí.
No segundo jogo do Brasil na Copa do Mundo foi tudo mais tranquilo. A Avenida Doutor Lisboa voltou a ser fechada de manhã. Mas, desta vez, com mais bom-senso, apenas um quarteirão. O que não causou maiores transtornos para o trânsito. A exemplo da partida de estreia, a partir das 14h, os pouso-alegrenses começavam a se agrupar para acompanhar mais uma etapa da saga canarinha. O trânsito pesou. As buzinas foram acionadas. Mas, prova de que a tensão começa a baixar, não soavam impaciência, mas cantarolavam alegria. Era um buzinaço pré-festivo. Pouco antes do início do jogo, mais um quarteirão da avenida foi fechado. A tensão de estreia da torcida se esvaiu. Quem sabe na esteira do coro mal-educado que entoou ofensas à presidente Dilma Rousseff no Itaquerão. Quem sabe não precisávamos da radicalização para perceber que o que é feio e deselegante é sempre feio e deselegante. O Brasil relaxou.
Em campo, relaxamos até demais. O jogo começou morno. Mais uma vez, não conseguimos repetir o “abafa” da Copa das Confederações. Pelo contrário, na maior parte do primeiro tempo, foi o México quem pressionou com eficiência. Nem mesmo o combustível extra dado pela torcida de Fortaleza, que inaugurou a versão em capela do hino nacional ano passado durante a Copa das Confederações e fez o mesmo na partida desta terça-feira (17), foi suficiente para empurrar o ataque brasileiro. Pouco inspirado. Sem nenhuma criatividade. Neymar ensaiava arrancadas. Era desarmado. Oscar enfiava uma ou outra bola para Fred. O centroavante não dominava. Tanta irregularidade começou a formar um protagonista inesperado. Ochoa. A muralha do México. Neymar, não com os pés, mas com a cabeça. Ganhou de Rafa Marques. Foi no terceiro andar. Cabeceou forte. Com estilo. A meia altura. No canto. A Brazuca teria entrado. Mas Ochoa não defendeu. Tirou o gol. Era um presságio. Mais que isso. Foi o grande lance do jogo.
Além de não conseguir pressionar o México. Nem com a marcação. Nem com o ataque. O Brasil dava espaço. Muito espaço. Com chutes de fora da área. Sempre bem colocados. O México assustava. Mas, ainda assim, o jogo parecia que deslancharia a favor do Brasil. Fim da primeira etapa. Era certo que o canários da Granja Comary voltariam impetuosos na segunda etapa. Mas o segundo tempo, de novo, não foi como se esperava. Depois de uma primeira etapa irregular, a seleção voltou desencontrada. Tomou sufoco dos mexicanos até os 20 minutos. Felipão sacara Ramires no intervalo. O meia já somava um cartão amarelo. No lugar, colocou aquele que, em suas palavras, “tem alegria nas pernas”. Bernard. Mas as pernas do mirrado camisa 20, não estavam mais alegres que as dos companheiros. Em uma tentativa final, Felipão tirou seu centroavante de confiança. Saiu Fred. Entrou o objetivo e forte Willian. Que também não foi mais forte e objetivo que o restante do grupo.
Mas e o nosso craque? Onde estava Neymar. Não é nessas horas que um craque se consagra. E bem poderia ter sido o dia do nosso 10. Mas não foi. Era o dia de Ochoa. Neymar colocou a bola na cabeça de Thiago Silva em uma bola parada cruzada na área. Thiago, na pequena área. De frente para a meta. Cabeceou fulminante. A queima-roupa. O tiro parou na muralha. Num lance de reflexo, Ochoa rebateu a bola que, a bem da verdade, vinha em sua direção. Outra bola cruzada na área. Neymar matou a bola no peito. Com aquela conhecida classe dos craques made in Brazil. A redondinha foi parar carinhosa no gramado. Pronta para ser chutada pelo jovem gênio. Aquele chute estiloso. De peito de pé. Batida firme. Que quase sempre encontra o caminho das redes. Quase sempre... Ochoa. Ele de novo. Bola rebatida. 0 a 0.
E, por pouco, no finalzinho do jogo, os mexicanos não amargam ainda mais o início da noite no Brasil. Contra-ataque rápido. Troca de passes objetiva. Por duas vezes. Primeiro com Guardado, depois com Gimenes. Dois chutes ameaçaram a meta guardada por Júlio César. A primeira passou por sobre o travessão. A segunda parou em grande defesa do goleiro brasileiro. E não é que poderia ter sido pior? A essa altura ninguém apostaria na desclassificação do Brasil. Um empate contra Camarões, e até mesmo uma derrota, dependendo da combinação de resultados, classifica o escrete. Mas não foi por isso que, ao final da partida, algumas pessoas soltaram fogos. Ou foi? Ou há quem torça contra? Contra a seleção ou contra a Copa? Protesto? Talvez não passe de ruído de uma terça-feira em que não estivemos nem um pouco inspirados.
Nenhum comentário:
Postar um comentário